Raízes Aéreas

Luiz Gonzaga

In Música pelo mundo on 7 de agosto de 2011 at 1:40

Luiz Gonzaga do Nascimento (Exu, 13 de dezembro de 1912 — Recife, 2 de agosto de 1989) foi um compositor popular brasileiro, conhecido como o Rei do Baião. Foi uma das mais completas e inventivas figuras da música popular brasileira. Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o sertão nordestino, para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado. Admirado por grandes músicos, como Dorival Caymmi, Gilberto Gil e Caetano Veloso, entre outros, o genial instrumentista e sofisticado inventor de melodia e harmonias, ganhou notoriedade com as antológicas canções Baião (1946), Asa Branca (1947), Siridó (1948), Juazeiro (1948), Qui Nem Giló (1949) e Baião de Dois (1950).

Biografia

Nasceu na fazenda Caiçara, no sopé da Serra de Araripe, na zona rural de Exu, sertão de Pernambuco. O lugar seria revivido anos mais tarde em “Pé de Serra”, uma de suas primeiras composições. Seu pai, Januário, trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão (também consertava o instrumento). Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-lo. Não era nem adolescente ainda, quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sul do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião. A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, que compôs em 1947, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.

Antes dos dezoito anos, ele se apaixonou por Nazarena, uma moça da região e, repelido pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, ameaçou-o de morte. Januário e Santana lhe deram uma surra por isso. Revoltado, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército em Crato, Ceará. A partir dali, durante nove anos ele viajou por vários estados brasileiros, como soldado. Em Juiz de Fora-MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista.

Em 1939, deu baixa do Exército no Rio de Janeiro, decidido a se dedicar à música. Na então capital do Brasil, começou por tocar na zona do meretrício. No início da carreira, apenas solava acordeão (instrumentista), tendo choros, sambas, fox e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros. Apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Até que, em 1941, no programa de Ary Barroso, ele foi aplaudido executando Vira e Mexe , um tema de sabor regional, de sua autoria. O sucesso lhe valeu um contrato com a gravadora Victor, pela qual lançou mais de 50 músicas instrumentais. Vira e mexe foi a primeira música que gravou em disco.

Veio depois a sua primeira contratação, pela Rádio Nacional. Foi lá que tomou contato com o acordeonista gaúcho Pedro Raimundo, que usava os trajes típicos da sua região. Foi do contato com este artista que surgiu a ideia de Luiz Gonzaga apresentar-se vestido de vaqueiro – figurino que o consagrou como artista.

Em 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: a mazurca Dança Mariquinha em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.

Também em 1945, uma cantora de coro chamada Odalisca Guedes deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga tinha um caso com a moça – iniciado provavelmente quando ela já estava grávida – e assumiu a paternidade do rebento, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior. Gonzaguinha foi criado pelos seus padrinhos, com a assistência financeira do artista.

Em 1946 voltou pela primeira vez a Exu (Pernambuco), e o reencontro com seu pai é narrado em sua composição Respeita Januário, parceria com Humberto Teixeira.

Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Cavalcanti, professora que tinha se tornado sua secretária particular. O casal viveu junto até perto do fim da vida de “Lua”. E com ela teve outro filho que Lua a Chamava de Rosinha.

Vida pessoal e família

Luiz não se dava bem com o filho, apelidado de Gonzaguinha. Ele passou a não ver mais o filho na infância do menino e sempre que o via brigava com ele, apesar de amá-lo, achava que ele não teria um bom futuro, imaginando que ele se tornaria um malandro ao crescer, já que o menino era envolvido com amizades ruins no morro, além de viver com malandros tocando viola pelos becos da favela. Dina tentava unir pai e filho, mas Helena não gostava da proximidade deles, e passou a espalhar para todos que Luiz era estéril e não era o pai de Luizinho,[2] mas Luiz sempre desmentia, já que ele não queria que ninguém soubesse que o menino era seu filho somente no civil. Ele amava o menino de fato, independente de ser filho de sangue ou não.[5]

Na adolescência, o jovem se tornou rebelde, não aceitava ir morar com o pai, já que amava os padrinhos e odiava ser órfão de mãe, e dizia sempre que Luiz não era seu pai biológico, o que entristecia-o. Helena detestava o menino e vivia implicando com ele, e humilhando-o e por isso Gonzaguinha também não gostava da madrasta Helena, o que afastou e causou mais brigas entre pai e filho, já que Luiz dava razão à esposa. Não vendo medidas, internou o jovem em um colégio interno para desepsero de Dina e Xavier.[3] Gonzaguinha contraiu tuberculose aos 14 anos e quase morreu. Aos 16, Luiz pegou-o para criar e o levou a força para a Ilha do Governador, onde morava, mas por ser muito autoritário e a esposa destratar o garoto, o que gerava brigas entre Luiz e Helena, Gonzaga mandou o filho Gonzaguinha de volta ao internato.

Ao crescer, a relação ficou mais tumultuada, pois o filho se tornou um malandro, tornando-se viciado em bebidas alcoólicas. Ao passar o tempo, tudo foi melhorando quando Gonzaguinha resolveu se tratar e concluiu a universidade, e se tornou músico como o pai. Pai e filho ficaram mais unidos quando em 1980 viajaram o Brasil juntos, quando o filho compôs algumas músicas para o pai. Eles se tornaram muito amigos, e conseguiram em fim viver em paz.

Últimos anos

Gonzaga sofria de osteoporose. Morreu vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte (a contragosto de Gonzaguinha, que pediu que o corpo fosse levado o mais rápido possível para Exu, irritando várias pessoas que iriam ao velório e tornando Gonzaguinha “persona non grata” em Juazeiro do Norte) e posteriormente sepultado em seu município natal.

Luiz Gonzaga era Maçon e é o compositor, juntamente com Orlando Silveira, da música “Acácia Amarela”. Luiz Gonzaga foi iniciado na Loja Paranapuan, Ilha do Governador, em 03 de abril de 1971.

Em 2012, Luiz Gonzaga foi tema do carnaval da GRES Unidos da Tijuca, com o enredo “O dia em que toda a realeza desembarcou na avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão”, fazendo com que a escola ganhasse o carnaval deste respectivo ano.

Discografia

1956 – Aboios e Vaquejadas
1957 – O Reino do Baião
1958 – Xamego
1961 – Luiz “LUA” Gonzaga
1962 – Ô Véio Macho
1962 – São João na Roça
1963 – Pisa no Pilão (Festa do Milho)
1964 – A Triste Partida
1964 – Sanfona do Povo
1965 – Quadrilhas e Marchinhas Juninas
1967 – O Sanfoneiro do Povo de Deus
1967 – Óia Eu Aqui de Novo
1968 – Canaã
1968 – São João do Araripe
1970 – Sertão 70
1971 – O Canto Jovem de Luiz Gonzaga
1971 – São João Quente
1972 – Aquilo Bom!
1972 – Volta pra Curtir (Ao Vivo)
1973 – A Nova Jerusalém
1973 – Sangue de Nordestino
1973 – Luiz Gonzaga
1974 – Daquele Jeito…
1974 – O Fole Roncou
1976 – Capim Novo
1977 – Chá Cutuba
1978 – Dengo Maior
1979 – Eu e Meu Pai
1979 – Quadrilhas e Marchinhas Juninas, vol. 2 – Vire Que Tem Forró
1980 – O Homem da Terra
1981 – A Festa
1981 – A Vida do Viajante – Gonzagão e Gonzaguinha
1982 – Eterno Cantador
1983 – 70 Anos de Sanfona e Simpatia
1984 – Danado de Bom
1984 – Luiz Gonzaga & Fagner
1985 – Sanfoneiro Macho
1986 – Forró de Cabo a Rabo
1987 – De Fiá Pavi
1988 – Aí Tem
1988 – Gonzagão & Fagner 2 – ABC do Sertão
1989 – Vou Te Matar de Cheiro
1989 – Aquarela Nordestina
1989 – Forrobodó Cigano
1989 – Luiz Gonzaga e sua Sanfona, vol. 2

Fonte biográfica: Wikipédia.
Atualizado em 19/12/2014.

Fotos

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Zé Dantas e Luiz Gonzaga
Luiz Gonzaga e Dominguinhos
Luiz Gonzaga, Capinan e Pitta
Zé Dantas e Luiz Gonzaga

Clóvis Bezerra e Luiz Gonzaga

Assis Ângelo e Luiz Gonzaga
Luiz Gonzaga e Lulu Santos - Circo Tihani 1986

Videos

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Luiz GOnzaga e Humberto Teixeira falando sobre Asa Branca
Asa Branca
O Xote das Meninas
Assum Preto
Cintura Fina
Respeita Januário
Baião
Pagode Russo
Vem Morena
Sabiá

Topo

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