Raízes Aéreas

Charles Mingus

In Música pelo mundo on 15 de agosto de 2010 at 1:22

Charles Mingus Jr. é o mais influente contrabaixista do jazz moderno. Nascido(22 de abril de 1922 – 05 de janeiro de 1979) numa base militar em Nogale, Arizona, cresceu em Los Angeles. Tendo começado a estudar música ainda criança, depois de tentativas sem muito sucesso com o trombone e o violoncelo, acabou por se decidir pelo contrabaixo na época do colégio. Seu talento logo foi percebido, e Mingus tocou nos anos 40 nos grupos de Barney Bigard, Louis Armstrong e Lionel Hampton. Participou do trio do vibrafonista Red Norvo (com o guitarrista Tal Farlow) em 1950-1951. Nos anos 50 tocou com uma constelação de grandes músicos: Billy Taylor, Stan Getz, Art Tatum, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Max Roach e Duke Ellington, a quem admirava muito.

Em 1956, Mingus gravou o disco Pithecanthropus Erectus, amplamente reconhecido como uma obra-prima, que estabeleceu definitivamente seu nome como um dos líderes do jazz moderno. Nos dez anos seguintes, ele comporia temas antológicos e gravaria discos idem, tocando com Eric Dolphy, Jackie McLean, J. R. Monterose, Jimmy Knepper, Roland Kirk, Booker Ervin e John Handy, entre outros. Durante a década de 60, porém, problemas psicológicos e dificuldades financeiras fizeram a carreira de Mingus entrar em parafuso (não sem antes gravar mais uma de suas obras-primas, The Black Saint and The Sinner Lady, e também um disco solo como pianista, Mingus Plays Piano). Alguns aspectos dessa fase estão documentados no documentário Mingus, de Thomas Reichman (1968).

As coisas só iriam melhorar, na vida profissional e pessoal, a partir de 1971, com o recebimento de uma bolsa de composição da fundação Guggenheim, a venda das matrizes do selo Debut (que fora fundado por Mingus e Max Roach) para a Fantasy, e a publicação da surpreendente autobiografiaBeneath the Underdog (algo como “Mais por baixo que vira-lata”). A partir daí, começou a haver um reconhecimento maior por parte do público; porém há quem diga que o fogo criador havia sido um tanto atenuado. Em 1977 foi diagnosticada em Mingus uma esclerose lateral amiotrófica. Em 1978, realizou-se um concerto em sua homenagem na Casa Branca, ao qual Mingus compareceu já numa cadeira de rodas. O fim viria em 5 de janeiro de 1979, depois de uma série desesperada de tentativas de cura usando diversos tipos de medicina não-convencional. Depois de sua morte, seu prestígio cresceu ainda mais, e os grupos Mingus Dinasty e Mingus Big Band levaram seu legado adiante.

Mingus possuía uma personalidade complexa, contraditória e até mesmo agressiva – não são poucas as histórias que se contam de Mingus tendo agredido outros músicos. Tendo experimentado diversas interrupções na produção musical por conta de sua instabilidade emocional, recuperava-se a seguir para continuar tocando magistralmente. Sentia com intensidade o drama do preconceito racial, usando diversas vezes a música como veículo de protesto (por exemplo, na composição “Fables of Faubus”, endereçada a um governador do estado de Arkansas).

Nos anos 50 e 60, Mingus abriu novos caminhos para o jazz e para o contrabaixo em particular. Seu toque ao contrabaixo é nervoso, veloz e irregular, e seus solos são longos e intensos. Ele fez com o contrabaixo o que Max Roach e Art Blakey fizeram com a bateria: emancipou o instrumento, trouxe-o para o primeiro plano, conferiu-lhe um discurso próprio. As composições de Mingus, às vezes estruturadas de modo consideravelmente complexo, revelam um pensamento musical sofisticado. O conjunto de Mingus, em todas as suas diferentes formações, se caracterizava por uma intensa improvisação coletiva e por uma grande liberdade harmônica. Em certo sentido, ele pode ser considerado um precursor do free jazz. No entanto, é bom lembrar que Mingus nunca deixou de cultivar, mesmo em peças mais profundamente radicais, as raízes do jazz. Ora vanguardista, ora tradicionalista, ora lírico, ora feroz, porém sempre inovador e profundamente musical, Mingus criou, ao longo de seus 56 anos, uma obra profunda, que tem servido de inspiração para gerações de músicos.

Discografia

Baron Mingus – West Coast 1945–49 (1949, Uptown)
Strings and Keys (duo with Spaulding Givens) (1951, Debut)
The Young Rebel (1952, Swingtime)
The Charles Mingus Duo and Trio (1953, Fantasy)
Charles Mingus Octet (1953, Debut)
Jazz Composers Workshop (1954-55, Savoy)
The Jazz Experiments of Charlie Mingus (1954, Bethlehem, originally issued as Jazzical Moods Vol. 1 & 2)
Mingus at the Bohemia (1955, Debut)
The Charles Mingus Quintet & Max Roach (1955, Debut)
Pithecanthropus Erectus (1956, Atlantic)
The Clown (1957, Atlantic)
Trio (1957, Jubilee)
East Coasting (1957, Bethlehem)
A Modern Jazz Symposium of Music and Poetry (1957, Bethlehem)
Blues & Roots (1959, Atlantic)
Mingus Ah Um (1959, Columbia)
Mingus Dynasty (1959, Columbia)
Jazz Portraits: Mingus in Wonderland (1959, United Artists)Pre-Bird (aka Mingus Revisited) (1960, Mercury)
Mingus at Antibes (1960, Atlantic)
Charles Mingus Presents Charles Mingus (1960, Candid)
Reincarnation of a Lovebird (1960, Candid)
Tonight at Noon (1961, Atlantic)
Vital Savage Horizons (1962, Alto)
Tempo di Jazz (1962, Tempo di Jazz)
Town Hall Concert (1962, Blue Note)
Oh Yeah (1961, Atlantic)
Tijuana Moods (1962, RCA)
The Black Saint and the Sinner Lady (1963, Impulse!)
Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus (1963, Impulse!; sometimes referred to as Five Mingus)
Mingus Plays Piano (1963, Impulse!)
Soul Fusion (1963, Pickwick live)
Revenge! (live 1964 performance with Eric Dolphy, 32 Jazz; previously issued by Prestige as The Great Paris Concert)
Town Hall Concert (1964, Fantasy)
Concertgebouw Amsterdam, Vol. 1 (1964, Ulysse Musique)
Charles Mingus Live In Oslo 1964 Featuring Eric Dolphy (1964, Jazz Up)
Charles Mingus Sextet Live In Stockholm 1964 (1964, Royal Jazz)
Charles Mingus Sextet Live In Europe (1964, Unique Jazz)
The Great Concert of Charles Mingus (1964, America)
Charles Mingus Sextet with Eric Dolphy Cornell 1964 (2007, Blue Note)
Mingus In Europe (Volume 1 & 2 1964, Enja)
Mingus In Stuttgart, April 28, 1964 Concert (1964, Unique Jazz)
Right Now: Live at the Jazz Workshop (1964, Fantasy)
Mingus at Monterey (1964, Mingus JWS)
Music Written for Monterey 1965 (1965, Mingus JWS)
Charles Mingus – Cecil Taylor (1966, Ozone)
Statements (1969, Joker)
Paris TNP (1970, Ulysse Musique)
Charles Mingus Sextet In Berlin (1970, Beppo)
Charles Mingus with Orchestra (1971, Columbia)
Let My Children Hear Music (1972, Columbia)
Charles Mingus and Friends in Concert (1972, Columbia)
Mingus Moves (1973, Atlantic)
Mingus at Carnegie Hall (1974, Atlantic)
Changes One (1974, Atlantic)
Changes Two (1974, Atlantic)
Village Vanguard 1975 (1975, Blue Mark Music)
The Music Of Charles Mingus (1977, Baystate)
Stormy & Funky Blues (1977)
Cumbia & Jazz Fusion (1977, Atlantic)
Three or Four Shades of Blues (1977)
His Final Work (1977)

Fonte biográfica: Wikipédia
Atualizado em 5/09/2015.

Fotos

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Vídeos

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Goodbye Pork Pie Hat
Self-Portrait in Three Colors 
Boogie Stop Shuffle
Better Get In Your Soul
Original Faubus Fables
Open Letter to Duke
Pussy Cat Dues
Jelly Roll
Bird Calls
Shorecrest High School

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