Raízes Aéreas

Eurythmics

In Música pelo mundo on 16 de março de 2010 at 18:18

Eurythmics é um duo musical britânico formado em 1980 por Annie Lennox e Dave Stewart e ficou ativo durante toda a década de 80. “Uma loira platinada e um cérebro pensante que cuida de arranjos, produção e direção artística”. Assim muitos considerariam, grosso modo, o duo Eurythmics. Mas Annie Lennox e Dave Stewart foram muito mais do que isso. A história dos dois começou ainda nos anos 70 em bandas convencionais de rock, antes de se firmarem como um dos mais interessantes e originais nomes dos anos 80 e 90.

Após comemorar os 25 anos de carreira, a dupla teve todos os seus discos editados de forma remasterizada e com faixas bônus.

Annie Lennox nasceu no dia 25 de dezembro de 1954, em Aberdeen, na Escócia. Filha única, Annie foi extremamente cuidada pelos pais e desde cedo mostrou pendão para as artes e ainda menina aprendeu a tocar piano, flauta, além de cantar em corais e estudar dança. A jovem Annie era apaixonada pela música negra, especialmente os artistas da Motown, como Marvin Gaye, Stevie Wonder e Supremes.
Aos 17 anos, resolveu se mudar para Londres e foi estudar na Royal Academy Of Music. Durante três anos ela estudou música clássica e sobrevivia fazendo pequenos serviços, como o de garçonete. Annie confessa que foi muito infeliz nos estudos, abandonando a escola semanas antes dos exames finais, para desconsolo dos pais, que sonhavam em ver a filha famosa. Um de seus empregos nessa época foi trabalhar em uma loja de discos, onde conheceu Steve Tomlin, com quem teria uma amizade longa. Foi aí que Annie resolveu seguir a carreira musical, tendo a cantora canadense Joni Mitchell como grande inspiração. Assim, ela se juntou ao grupo Dragon’s Playground e Red Brass. Ao lado da amiga Joy Dey, tentou montar uma dupla vocal com o nome Stocking Tops, o que não deu muito certo. Corria o ano de 1976, quando Annie resolveu arranjar um emprego de garçonete para poder sobreviver, no Pippins Restaurant, em Hampstead. Foi lá que iria conhecer Dave Stewart…

Dave se apaixonou logo que botou os olhos nela pedindo para que se casasse com ele imediatamente. Annie jamais aceitou o convite, mas logo descobriu que nutriam uma imensa paixão por música. Começaria um longo casamento (musical) entre os dois…

Nascido em 8 de setembro de 1952, em Sunderland, Dave entrou no mundo musical literalmente por acidente. Tudo aconteceu aos 13 anos, após sofrer uma grave contusão jogando futebol. Dave era um excelente jogador, tendo participado de algumas seleções inglesas menores e durante sua convalescença ganhou uma guitarra para passar o tempo. Após montar um grupo, The Longdancer, Dave acabou encontrando Annie e resolveram morar juntos.

O começo foi bem difícil e eles aproveitavam qualquer chance que tinham para entrar em um estúdio e ensaiarem suas canções. Dave e seu colega Peet Combies procuravam um selo e só conseguiram quando apresentaram Annie.
O resultado foi o nascimento do grupo The Catch que lançou apenas um compacto – Borderline – antes de fracassarem terrivelmente. E o grupo foi abandonado pelo selo quando o trio adicionou Jim Tooney e Eddie Chin em sua formação. O quinteto acabou mudando de nome; eram agora The Tourists. E a banda começou a ganhar alguns fãs. A mistura punk e pop, além da produção do legendário produtor alemão Conny Plank (trabalhou, entre outros, com o Kraftwerk) fez a banda crescer em palco e até excursionaram ao lado do Roxy Music. O grupo lançou três discos em dois anos – The Tourists (1979); Reality Effect (1979) e Luminous Basement (1980) e conseguiu um grande sucesso com a cover de um clássico de Dusty Springfield – “I Only Want To Be With You”, do segundo disco, Reality Effect, que chegou a conseguir disco de platina. Apesar do sucesso, Dave e Annie nunca gostaram muito do grupo ou do formato de banda de rock e resolveram acabar com a banda após cinco compactos e muitas brigas internas, em 1981.

Depois de brigarem com a Logo Records, foram para a RCA e resolveram se mudar para a Alemanha onde, mais uma vez, iriam trabalhar com Conny Plank. Com ele, começaram a produzir algumas demos, contando até com alguns membros do Can. A primeira providência adotada por Dave e Annie era de jamais trabalharem novamente com um grupo. A partir de agora, seriam apenas os dois. Para isso, escolheram um nome diferente: Eurythmics (e não The Eurythmics). O nome foi tirado de uma dança grega que Annie aprendeu quando criança e Dave vendeu à RCA que o nome tinha a ver com elementos “europeus e rítmicos”. Mesmo sem convencerem a gravadora, adotaram o nome.
No mesmo ano de 1981 é lançado o primeiro disco, In The Garden. Novamente produzido por Conny Plank, teve dois compactos, “Belinda” e “Never gonna cry again”. O disco mostrava o Eurythmics procurando uma linguagem própria e calcada demais nos modelos new wave da época. O grupo promoveu “Never gonna cry again” no programa The Old Grey Whistle Test tendo o baterista do Blondie, Clem Burke, como convidado. Mas nem assim conseguiram melhorar as vendagens.

No ano seguinte, lançaram mais dois compactos, “This is The House” e “The Walk”, que também fracassaram. As coisas pioraram quando Dave ficou doente e precisou fazer uma operação no pulmão, o que fez Annie entrar em uma profunda crise de depressão.

Enquanto Dave se recuperava, o grupo começou a trabalhar novamente em novas canções e, em 1983, arrebentaram geral com o disco Sweet Dreams (are made of this). O disco vendeu muito e a faixa-título ficou em primeiro lugar na parada norte-americana e em segundo na parada britânica. Contribuiu fortemente para o sucesso, o video, em que mostra uma Annie Lennox andrógina, de terno, cabelo curto e pintado de vermelho. Em um ano de três grandes nomes do universo pop – Michael Jackson, The Police e David Bowie – caberia àquele estranho duo liderar as paradas de sucesso de todo o planeta.

Annie começaria a adotar esse visual – bolado por Laurence Stevens – nos próximos anos e, não raramente, alguns achariam que Annie era na verdade um travesti.
Após uma grande excursão mundial, o duo voltou aos estúdios para gravarem um novo disco, Touch, que rendeu outros grandes sucessos como, “Here Comes The Rain Again”, “Right By Your Side” e “Who’s That Girl”.

O disco ficaria em primeiro no Reino Unido e em sétimo nos Estados Unidos, consolidando o sucesso. Data dessa o encontro com Radha Raman, um monge Hare Krishna, com quem ela acabaria casando, para tristeza de seus conservadores pais. O casal acabaria fixando residência na Suíça, na tentativa de obterem maior privacidade, algo impossível para alguém tão famosa como Annie. O ano de 1984 ainda teria mais dois lançamentos do grupo; o EP de remix Touch dance e a trilha-sonora do filme 1984, que rendeu dois sucessos – “Sex Crime” e “Julia”. O filme era inspirado no clássico livro de George’s Orwell, de mesmo nome, e foi dirigido por Michael Radford, que não ficou muito feliz com a escolha do duo.

Apesar de não ser considerado um disco oficial do grupo até hoje, o LP vendeu bem e “Sex Crime” alcançou o quinto posto nas paradas.
Em fevereiro de 1985, acaba o casamento de Annie e o grupo entra imediatamente em estúdio para lançar um novo e excelente disco, Be Yourself Tonight. O disco marcaria, pela primeira vez, a primeira posição na parada britânica com “There Must Be An Angel (Playing With My Heart)”. O disco trazia também a participação de Aretha Franklin na faixa “Sisters Are Doin’t For Themselves”. A curiosidade sobre essa canção é que seria Tina Turner a primeira opção, que acabou recusando o convite por achar a letra feminista demais.

Mas, o grupo acabou não saindo em turnê e não participaram do Live Aid, por problemas emocionais da vocalista. Paralelamente, Annie e Dave se envolviam em campanhas humanitárias.
Já que Annie não conseguia excursionar, a saída foi entrar novamente em estúdio, desta vez na França, onde gravaram Revenge. O disco rendeu uma outra excursão e dois sucessos – “Missionary Man” e “Miracle Of Love”. E foi durante a excursão que Annie conheceu o diretor israelense Uri Fruchtman, que havia realizado um documentário sobre a banda, no Japão. Eles acabaram se casando em 1988, mesmo ano em que Dave contraiu matrimônio com Siobhan Fahey do Bananarama. Em 1987, a dupla lança Savage, um disco mais experimental e que rendeu os modestos sucessos “You Have Placed A Chill In My Heart” e “I Need A Man”.

O LP acabou vendendo pouco, apesar de receber boas críticas. Em 1988, Annie participou do concerto ao líder sul-africano Nelson Mandela no estádio de Wembley e viveu uma drama em dezembro, quando seu primeiro filho, Daniel, nasceu morto. Ainda deprimida, Annie e Dave lançaram um novo disco, We Too Are One, incluindo “Angel”, feita em homenagem ao filho. O disco marca também a separação de Annie e Dave, que resolvem não gravar mais com o nome Eurythmics. Annie entra de cabeça em uma bem-sucedida carreira solo, enquanto Dave ataca de produtor (função que fez trabalhar com Bob Dylan, por exemplo) e novos projetos, solos ou com sua banda, Spiritual Cowboys.

Enquanto a banda estava separada (mas não oficialmente terminada) foram lançados os discos Greatest Hits – que chegou ao número 1 das paradas inglesas e ficou entre os mais vendidos por 40 semanas – e Live 83-89.
E, para surpresa de muitos, em 1999, os dois anunciam a volta da dupla e um novo trabalho; Peace. O disco trazia letras de cunho político, inspirada na Anistia Internacional. O disco foi promovido com uma imensa turnê e o Eurythmics participou de shows para a Anistia e o Greenpeace. Dois singles tirados do novo trabalho tiveram participações modestas nas paradas inglesas; “I Saved The World Today” (ficou em 11º) e “17 Again” (27º). O disco, no entanto, alcançou o quarto lugar na parada britânica e apenas o 27º lugar na América. Mas a banda teve novamente problemas e Annie teve uma forte crise na coluna após a excursão. Com isso, pela segunda vez, a banda se dissolve.

Os dois até chegaram a se reunir para um novo disco, mas que nunca foi gravado. Após várias participações – Annie participou da trilha sonora do filme O Senhor dos Anéis, que venceu o Oscar, e excursionou com Sting – os dois voltaram a se reunir em 2005 e lançaram um novo single, “I’ve Got a Life”, a primeira canção inédita em seis anos do Eurythmics. E, para comemorar os 25 anos de carreira, todos os discos do grupo foram editados de forma remasterizada e com faixas bônus.  Embora nenhum disco ainda esteja programado, o Eurythmics voltou para uma série de apresentações. O que ninguém sabe ainda é se a volta é definitiva ou apenas momentânea.

Álbuns de estúdio

1981 – In the Garden
1983 – Sweet Dreams (Are Made of This)
1983 – Touch
1984 – 1984 (For the Love of Big Brother)
1985 – Be Yourself Tonight
1986 – Revenge
1987 – Savage
1989 – We Too Are One
1999 – Peace

Compilações e outros álbuns

1984 – Touch Dance
1993 – Live 1983–1989
1991 – Greatest Hits
2005 – Ultimate Collection
2005 – Boxed

Fonte: Website da banda.
Atualizado em 23/05/2012.

Vídeos

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Topo

  1. Não conhecia a banda. Gostei do som. ;D

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