Raízes Aéreas

Raul Seixas

In Música pelo mundo on 24 de janeiro de 2010 at 16:50

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um cantor e compositor brasileiro, considerado o pioneiro do rock no Brasil. Filho do engenheiro Raul Varella Seixas e da dona de casa Maria Eugênia Santos Seixas, Raul nasceu e cresceu na cidade de Salvador. Uma cidade um tanto estagnada, alheia aos progressos de uma modernidade que passava ao largo da capital baiana. Tinha um irmão, quatro anos mais novo, Plínio Seixas.

Em casa obtém uma cultura impressionante que o faz adiantar-se àquilo que era ensinado nas escolas, mergulhando nos livros que tinha à disposição, na biblioteca do pai. Até o final de sua vida, sempre foi avançado para sua época, o que é comprovado pelas músicas por ele compostas e que até hoje são executadas.

Seu gosto musical foi se moldando: primeiro, no rádio, acompanha o sucesso de Luiz Gonzaga, e nas viagens, onde acompanha o pai, ouve os matutos desfiarem repentes – e esta “raiz” nordestina nunca o abandonara. Porém logo Raul Seixas conheceu um personagem que mudou sua vida completamente: o Rock’n Roll. Raul teve contato com o Rock através do consulado norte-americano, que ficava próximo de sua casa. A partir daí, foram muitas horas diárias na loja “Cantinho da Música” ouvindo discos de Rock e várias sessões nos cinemas, onde encanta-se com o talento de Elvis Presley, de quem torna-se fã. Tão fã que chega a fundar o “Elvis Presley Fã-Clube de Salvador”. Sempre gostou também de clássicos do rock dos anos 50 e 60.

Juntamente com alguns amigos de Salvador, monta um conjunto, “Os Relâmpagos do Rock”, a primeira banda de Salvador a utilizar instrumentos elétricos. Mais tarde, a banda muda de nome, passa a se chamar “The Panters”, e por último “Raulzito e os Panteras”. Fazem shows pelo estado em bailes e festinhas e até mesmo para um bom público de duas mil pessoas no Festival da Juventude. Mas o sucesso da banda não ultrapassava o eixo baiano, fato que aborrecia Raul. A decepção com o mundo artístico foi reforçada pelo namoro com a americana Edith Wisner. A pedidos do pai da garota – que era pastor protestante – Raul abandona a carreira musical.

Algum tempo depois casa-se com Edith e passa a lecionar inglês e violão para ganhar a vida. Em 1967, o amigo Jerry Adriani, o conveceu a voltar aos palcos com Os Panteras, acompanhando-o numa turnê pelo Rio de Janeiro. E lá ele grava um disco pela gravadora Odeon. Um total fracasso.

Após algum tempo, Raul foi convidado por Evandro Ribeiro para ser produtor da CBS (atual Sony BMG). Ali participa da produção de diversos artistas da Jovem Guarda, como o próprio Jerry Adriani, Leno e Lilian e mais tarde Sérgio Sampaio, Diana, entre outros. Também compõe mais de oitenta músicas para a Jovem Guarda, algumas de muito sucesso, como “Doce, Doce, Doce Amor”, “Sha-la-la-la”, “Tudo que é bom dura pouco”, “Ainda queima a esperança”, entre outras.

Em 1971 Raul acaba se rebelando. Aproveitando a ausência do presidente da empresa, grava seu segundo LP (intitulado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10), em que faz parceria com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star. O disco, todavia, foi retirado do mercado sob o argumento de não se enquadrar à linha de atuação da gravadora e Raul acabou demitido.

Em 1972 participou do VII FIC (Festival Internacional da Canção), promovido pela Rede Globo, e conseguiu a classificação de duas músicas, “Let Me Sing, Let Me Sing” (um misto de baião e rockabilly) e “Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo”. Devido a façanha, assinou com a gravadora Philips (atual Universal Music) para gravar o álbum Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock, que não tinha o seu nome na capa.

Auge e queda


No início dos anos 1970 Raul se interessou por um artigo sobre extraterrestres publicado na revista 2001 e tem o primeiro contato com o escritor Paulo Coelho.

No ano de 1973, Raul conseguiu um grande e estrondoso sucesso com a música “Ouro de Tolo” no álbum Krig-Ha, Bandolo, uma música com letra quase autobiográfica, mas que debocha da Ditadura e do “Milagre Econômico”.

O mesmo LP também continha outras músicas que se tornaram grandes sucessos, como: Metamorfose Ambulante, Mosca na Sopa e Al Capone. O LP Krig-Ha Bandolo seria desde então uma grande referência da Obra de Raul, sendo considerado por muitos um dos melhores discos da história do Brasil.

Raul Seixas finalmente alcançou grande repercussão nacional como uma grande promessa de um novo compositor e cantor. Porém logo a imprensa e os fãs da época foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.

No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, onde a principal lei é “Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei”. Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo. Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos onde Raul Seixas teria supostamente se encontrado com John Lennon. No entanto, o seu LP “Gita” gravado poucos meses antes faz tanto sucesso com a música Gita, que a Ditadura achou melhor trazer os dois de volta ao Brasil para não levantar suspeitas sobre seus desaparecimentos. O álbum “Gita” rendeu a Raul um disco de ouro, após vender 600.000 cópias. Ainda neste ano, Raul separa-se de Edith, que vai para os Estados Unidos com a filha do casal, Simone.

Em 1975, casa-se com Gloria Vaquer, e grava o LP Novo Aeon, onde Raul compôs, uma de suas músicas mais conhecidas, Tente Outra Vez. O LP, porém, foi uma decepção. Vendeu menos de 60 mil cópias.

Em 1976, Raul dá a volta por cima com o disco Há Dez Mil Anos Atrás, que também é um LP recheado de clássicas composições. Neste mesmo ano, nasce sua segunda filha, Scarlet.

Naquele final de década as coisas começaram a ficar ruins para Raul. A parceria com Paulo Coelho é desfeita. O cantor lança três discos pela WEA (hoje Warner Music Brasil), a partir de 1977, que fizeram sucesso de público e desgosto na crítica (O Dia Em Que A Terra Parou, que continha clássicos como “Maluco Beleza” e “Sapato 36”; Mata Virgem, em 1978 e Por Quem Os Sinos Dobram, em 1979). Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o amigo Cláudio Roberto, com quem Raul compôs várias de suas canções mais conhecidas.

A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao consumo de álcool, que lhe causa a perda de 1/3 do pâncreas. Separa-se de Glória, que vai embora para os EUA levando a filha Scarlet. Neste ano, conhece Tania Menna Barreto, com quem passa a viver.

No ano de 1979, separa-se de Tania. Começa então a depressão de Raul Seixas junto com uma internação para tratar do alcoolismo. Conhece Angela Affonso Costa, a Kika Seixas, sua quarta companheira.

No ano de 1980, assina novamente contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um álbum, Abre-te Sésamo, que contém outros sucessos e têm as faixas “Rock das ‘Aranha'” e “Aluga-se” censuradas. Logo depois o contrato é rescindido.

Em 1981 nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika.

Em 1982 faz um show histórico na praia do Gonzaga, em Santos, reunindo mais de 150 mil pessoas. No mesmo ano, Raul apresenta-se bêbado em Caieiras, São Paulo, e é quase linchado pela plateia que não acredita que Raul é o próprio, mas um impostor.

Desde 1980 Raul estava sem gravadora e agora também sem perspectiva de um novo contrato. Mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas. Porém, em 1983 Raul é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado, convite que foi foi aceito na hora. Logo depois, Raul é convidado para gravar o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música “Carimbador Maluco”. O álbum Raul Seixas (1983), que continha a canção, dá à Raul mais um disco de ouro. Em 1984 grava o LP “Metrô Linha 743” pela gravadora Som Livre. Mas depois Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação. Também em 1984 a Eldorado lança o disco (coletanea) gravado ao vivo “Unico e Exclusivo”.

Em 1985, separa-se de Kika Seixas. Faz um show, em 1 de dezembro deste ano, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova.

Conseguindo um contrato com a gravadora Copacabana, em 1986 (de propriedade da EMI), grava um disco que foi lançado somente no ano seguinte, devido ao alcoolismo de Raul. O disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! faz grande sucesso entre os fãs, chegando a ganhar disco de ouro e estando presente até em programas de televisão, como o Fantástico. Nesta época, conhece Lena Coutinho, que se torna sua companheira. A partir desse ano, estreita relações com Marcelo Nova (fazendo uma participação no disco Duplo Sentido, da banda Camisa de Vênus).

Um ano mais tarde, 1988, já separado de Lena, faz seu último álbum solo, “A Pedra do Gênesis”.

A convite de Marcelo Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco.

No ano de 1989, faz uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil. Durante os shows, fica claro que Raul está muito debilitado. Tanto que só participa de metade do show, a primeira metade é feita somente por Marcelo Nova.

A morte do astro


As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado de “A Panela do Diabo”, que foi lançado pela Warner Music Brasil no dia 19 de agosto de 1989.

Na manhã do dia 21 de agosto de 1989 Raul Seixas foi encontrado sobre a cama pela sua empregada por volta das oito horas da manhã, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo ao Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova, tornando-se assim um dos discos de maior sucesso do eterno Maluco Beleza.

Depois de sua morte, Raul permaneceu entre as paradas de sucesso. Foram produzidos vários álbuns póstumos, como O Baú do Raul (1992), Metamorfose Ambulante (1993), “Se o Radio não Toca” (1994 Eldorado), Raul “Vivo” (1996 – Eldorado), Documento (1998), Anarkilópolis (2003) e Raul Seixas – Série BIS Duplo (2005). Sua penúltima mulher, Kika, já produziu um livro do cantor (O Baú do Raul), baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte.

Em 2004, o canal a cabo Multishow promoveu um show especial de tributo a Raul, intitulado O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas. O show, gravado na Fundição Progresso (Rio de Janeiro) e lançado em CD e DVD, contou com artistas como Toni Garrido, CPM 22, Marcelo D2, Gabriel o Pensador, Arnaldo Brandão, Raimundos, Nasi, Caetano Veloso, Pitty e Marcelo Nova (os três últimos baianos, como Raul).

Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas não foi esquecido pelo público, e continua fazendo sucesso entre novas gerações. Vinte anos depois de sua morte, o produtor musical Mazzola, amigo pessoal de Raul, divulgou a canção inédita “Gospel”, censurada na década de 1970. A canção foi incluída na trilha sonora da telenovela Viver a Vida, da Rede Globo.

Discografia


1968 – Raulzito e os Panteras
1971 – Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (com Sérgio Sampaio, Míriam Batucada e Edy Star)
1973 – Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock
1973 – Krig-Ha, Bandolo!
1974 – Gita
1974 – O Rebu (Trilha sonora original – Raul Seixas & Paulo Coelho)
1975 – 20 Anos de Rock (Reedição de Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock)
1975 – Novo Aeon
1976 – Há 10 Mil Anos Atrás
1977 – Raul Rock Seixas
1977 – O Dia Em Que a Terra Parou
1978 – Mata Virgem
1979 – Por Quem Os Sinos Dobram
1980 – Abre-Te Sésamo
1983 – Raul Seixas
1983 – Raul Vivo
1984 – Metrô Linha 743
1984 – Único e Exclusivo
1985 – Let Me Sing My Rock And Roll (Coletânea lançada somente em LP)(reeditado como “Caroço de Manga” em LP e CD)
1986 – Raul Rock Volume 2
1987 – Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!
1988 – A Pedra do Gênesis
1989 – A Panela do Diabo (com Marcelo Nova)

Álbuns Póstumos


1991 – As Profecias
1992 – O Baú do Raul (Raridades)
1993 – Metamorfose Ambulante (Coletânea)
1994 – Se o Radio não Toca (raridades)1996 – Raul Seixas – VIVO (Coletânea)
1997 – Caminhos (Coletânea)
1998 – Documento
2002 – Anarkilópolis
2004 – A arte de Raul Seixas
2005 – Raul Seixas – Série BIS Duplo
2009 – 20 Anos sem Raul Seixas


Fonte: Wikipédia.
Atualizado em 18/04/2015.

Videos

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Maluco Beleza
Metamorfose Ambulante
Sociedade Alternativa
Eu Nasci a Dez Mil Anos Atrás
Tente Outra Vez
Ouro de Tolo
Al Capone
Mosca na Sopa
Rock do Diabo
Eu também vou Reclamar

Fotos

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