Raízes Aéreas

Tim Maia

In Música pelo mundo on 1 de novembro de 2009 at 6:23

Sebastião Rodrigues Maia, popularmente conhecido como Tim Maia (Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942 — Niterói, 15 de março de 1998), foi um cantor, compositor, produtor, maestro , guitarrista, baterista, multi-instrumentista e empresário brasileiro, um dos pioneiros na introdução do estilo soul na música popular brasileira e um dos maiores ícones da música no Brasil. Suas músicas eram marcadas pela rouquidão de sua voz, sempre grave e carregada, conquistando grande vendagem e consagrando muitos sucessos.

Nasceu e cresceu na cidade do Rio de Janeiro, onde, em sua infância, já teve contato com pessoas que viriam a ser grandes cantores, como Jorge Ben Jor e Erasmo Carlos. Em 1957, integrou o grupo The Sputniks, onde cantou junto a Roberto Carlos. Em 1959, emigrou para os Estados Unidos, onde teve seus primeiros contatos com o soul, vindo a ser preso e deportado por roubo e porte de drogas.

Em 1970, gravou seu primeiro disco, intitulado “Tim Maia”, que, rapidamente, tornou-se um sucesso país afora com músicas como “Azul da Cor do Mar” e “Primavera”. Nos três anos seguintes, lançou vários discos homônimos, fazendo sucesso com canções como “Não Quero Dinheiro” e “Gostava Tanto de Você”. De 1975 a 1977, aderiu à doutrina filosófico-religiosa conhecida como Cultura Racional, lançando, nesse período, as músicas “Que Beleza” e “Rodésia”. Pela decadência de suas músicas influenciadas por essa escola filosófica, desiludiu-se com a doutrina e voltou ao seu estilo de música anterior, lançando sucessos como “Descobridor dos Sete Mares” e “Me Dê Motivo”. Em 1988, venceu o Prêmio Sharp na categoria “Melhor Cantor”.

Muitas músicas suas foram gravadas sob a editora Seroma e a gravadora Vitória Régia Discos, sendo um dos primeiros artistas independentes do Brasil. Ganhou o apelido de “síndico do Brasil” de seu amigo Jorge Ben Jor na música W/Brasil. Na década de 1990, diversos problemas assolaram a vida do cantor: problemas com as Organizações Globo e a saúde precária, devido ao uso constante de drogas ilícitas e ao agravamento de seu grau de obesidade. Sem condições de realizar um show no Teatro Municipal de Niterói, saiu em uma ambulância e, após duas paradas cardiorrespiratórias, faleceu em 15 de março de 1998. É amplo seu legado à história da música brasileira, tendo inaugurado um estilo que futuramente viria a ser cantado por diversos artistas, como seu sobrinho Ed Motta. A revista Rolling Stone classificou Tim como o nono maior artista da música brasileira.

Primeiros anos

Nascido no Bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, na Rua Afonso Pena 24, filho de Altivo Maia (1900-1959) e Maria Imaculada Maia (1902-1984) começou a compor melodias ainda criança e já surpreendia a numerosa família, era o penúltimo de 19 irmãos.

Destacou-se pelo pioneirismo em trazer para a música popular brasileira o estilo soul de cantar. Com a voz grave e carregada, tornou-se um dos grandes nomes da música brasileira, conquistando grande vendagem e consagrando sucessos, lembrados até hoje e que influenciaram o sobrinho, o cantor Ed Motta.

Tim Maia começou na música tocando bateria num grupo Tijucanos do Ritmo, formado na Igreja dos Capuchinhos próxima a sua casa, passando logo para o violão. Tim, nessa época, era conhecido como “Babulina”, por conta da pronúncia do rockabilly Bop-A-Lena de Ronnie Self (apelido que Jorge Ben Jor tinha pelo mesmo motivo).

Em 1957, fundou o grupo vocal The Sputniks, do qual participaram Roberto Carlos, Arlênio Silva, Edson Trindade e Wellington. Ao contrário do que muitos pensam, Erasmo Carlos nunca fez parte do grupo; Erasmo fez parte do The Snakes, grupo que acompanhou tanto Roberto quanto Tim após o fim do The Sputniks. Em 1959, foi para os Estados Unidos, onde estudou inglês e entrou em contato com a soul music, chegando a participar de um grupo vocal, o The Ideals. No entanto, quatro anos mais tarde, viria a ser deportado de volta para o Brasil, preso por roubo e posse de drogas.

Em 1968, Tim produziu o álbum “A Onda É o Boogaloo”, de Eduardo Araújo. O álbum trouxe a sonoridade da soul Music para a Jovem Guarda.

No mesmo ano, Roberto Carlos gravou uma canção de sua autoria, “Não Vou Ficar”, para o álbum Roberto Carlos (1969). A canção também fez parte da trilha sonora do filme Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa.

Seu primeiro trabalho solo foi um compacto pela CBS em 1968, que trazia as músicas “Meu País” e “Sentimento” (ambas de sua autoria, como todas as músicas sem indicação de autor). Sua carreira no Brasil fortaleceu-se a partir de 1969, quando gravou um compacto simples pela Fermata com “These Are the Songs” (regravada no ano seguinte por Elis Regina em duo com ele e incluída no álbum “Em Pleno Verão”, de Elis) e “What Do You Want to Bet”.

Anos 1970

Em 1970, gravou seu primeiro longplay, “Tim Maia”, na Polygram, por indicação da banda Os Mutantes. O disco permaneceu em primeiro lugar no Rio de Janeiro por 24 semanas. Nesse disco, obteve sucesso com as faixas “Azul da Cor do Mar”, “Coronel Antônio Bento” (Luís Wanderley e João do Vale), “Primavera” (Cassiano) e “Eu Amo Você”.

Nos três anos seguintes, com a mesma gravadora, lançou os discos Tim Maia Volume II, tornando-se cada vez mais famoso com canções como a dançante “Não Quero Dinheiro (Só Quero amar)”, na era Disco; Tim Maia volume III e Tim Maia volume IV, no qual se destacaram “Gostava Tanto de Você” (Edson Trindade) e “Réu Confesso”. Em 1975, gravou os LPs Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol. 2. Em 1978, gravou, para a Warner, Tim Maia Disco Club, claramente inspirada pela Disco Music. Tim foi acompanhado pela Banda Black Rio. Nesse álbum, gravou um de seus maiores sucessos, “Sossego”.

Fase racional (1975-1976)

Na década de 1970, entrou em contato com a doutrina Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho, quando lançou, em 1975, os álbuns Tim Maia Racional, volumes Um e Dois pelo selo Seroma (palavra “amores” ao contrário e abreviação do próprio nome, “Sebastião Rodrigues Maia”).

São considerados por muitos os melhores de Tim Maia, com grandes influências do funk e do soul e pelo fato de que, nesta época, Tim Maia manteve-se afastado dos vícios, o que refletiu na qualidade de sua voz.

Desiludido com a doutrina, percebeu que o mestre Manuel não correspondeu ao ideal de um mestre. O cantor, revoltado, tirou de circulação os álbuns, tendo virado item de colecionadores, devido à raridade. Deste disco, existem várias pérolas, uma das quais é Imunização Racional.

Já nos anos 2000, foram descobertas novas músicas pertencentes à “fase racional”, no que foi intitulado de verdadeiro “Racional Volume Três”, podendo-se mencionar as faixas: “You Gotta Be Rational”, “Escrituração Racional”, “Brasil Racional”, “Universo em Desencanto Disco”, “O Grão Mestre Varonil”, “Do Nada ao Tudo” e “Minha Felicidade Racional”, inicialmente disponibilizadas apenas na Internet e lançado em CD em Agosto de 2011.

Após o término de sua fase racional, Tim voltou a seu antigo estilo vida e aos temas não religiosos em suas canções. Mais sucessos se seguiram: “Sossego” (do LP “Tim Maia Disco Club”, de 1978), “Descobridor dos Sete Mares” (faixa-título do LP de 1983, que também trouxe “Me Dê Motivo”) e “Do Leme ao Pontal” (de “Tim Maia”, 1986).

Anos 1980

Lançou em 1983 o LP “O Descobridor dos Sete Mares”, com destaque para a canção-título “O Descobridor dos Sete Mares” (Michel e Gilson Mendonça) e para Música “Me dê Motivo” (Michael Sullivan/Paulo Massadas) um dos seus maiores sucessos. Em 1985, gravou Um Dia de Domingo, também de Sullivan e Massadas, num dueto com Gal Costa, obtendo grande sucesso. Outro disco importante da década de 1980 foi “Tim Maia” (1986), que trazia o hit “Do Leme ao Pontal”.

Em 1986, participou do musical da Rede Globo, “Cida, a Gata Roqueira”, paródia ao conto de fadas, inspirado no filme Os Irmãos Caras de Pau (1980), onde James Brown interpreta um pastor evangélico. Nelson Motta criou um personagem similiar para Tim, onde o cantor improvisa o Salmo 23 embalado por uma banda tocando funk.

Artista com histórico de problemas com as gravadoras, na década de 1970 fundou seu próprio selo, primeiramente “Seroma” e depois “Vitória Regia”. Por ele, lançou, em 1990, “Tim Maia Interpreta Clássicos da Bossa Nova” e, mais tarde, “Voltou a Clarear” e “Nova Era Glacial”. Em 1988, venceu o Prêmio Sharp de música na categoria “Melhor Cantor”.

Anos 1990

Descontente com as gravadoras, Tim Maia retomou a ideia da editora Seroma e da gravadora Vitória Régia Discos, pela qual passou a fazer seus lançamentos. Regravado por artistas do pop (Titãs, Paralamas do Sucesso, Marisa Monte), Tim retribuiu a homenagem gravando “Como Uma Onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta, que foi grande sucesso nos anos 1990, juntamente com seu álbum ao vivo, de 1992. De Jorge Ben Jor, ganharia o apelido de “o síndico do Brasil”, na música “W/Brasil”. Ao longo da década, Tim gravaria discos de bossa nova (um deles com Os Cariocas) e de versões clássicos do pop e do soul (“What a Wonderful World”).

Em 1993, dois acontecimentos impulsionaram sua carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção “W/Brasil” e uma regravação que fez de “Como Uma Onda” (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD “Tim Maia”, do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade nesta década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas,funks e souls. Também teve muitas composições regravadas por artistas da nova geração, como Paralamas do Sucesso e Marisa Monte.

Em 1996, lançou dois CDs ao mesmo tempo: “Amigo do rei”, juntamente com Os Cariocas, e “What a Wonderful World”, com recriações de standards do Soul e do Pop norte-americanos dos anos de 1950 a 1970. Em 1997, lançou mais três CDs, perfazendo 33 discos em 28 anos de carreira. Nesse mesmo ano, fez uma nova viagem aos Estados Unidos.

Homenagens

Em 2004, a Som Livre lançou o álbum Soul Tim: Duetos, onde vários artistas, como Luiz Melodia, Fat Family, Claudinho e Buchecha, realizaram duetos póstumos (através de recursos tecnológicos, semelhante à gravação de “Unforgettable” por Nat King Cole e a filha Natalie Cole).

Em janeiro de 2001, em uma homenagem inusitada, o guitarrista Robin Finck do Guns N’ Roses tocou uma versão rocker de seu sucesso “Sossego”, durante a apresentação da banda no Rock In Rio III.

Entre tantas homenagens de qualidade já feitas a ele, a mais recente foi no dia 14 de dezembro de 2007, quando a Rede Globo de televisão homenageou Tim no especial Por Toda a Minha Vida.

Ainda em 2007, o jornalista e produtor musical Nelson Motta, amigo e fã de Tim, lançou o best-seller “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” (pela Editora Objetiva).

Em 2009, o cantor foi homenageado no programa Som Brasil com participações de Leo Maia, Seu Jorge, Thalma de Freitas, Marku Ribas, Carlos Dafé, Taryn Spielman e a banda Instituto.

Em 2011, Nelson Motta e João Fonseca criaram um musical baseado no livro “Vale Tudo”. O papel de Tim foi interpretado por Tiago Abravanel, neto de Sílvio Santos.

Álbuns de estúdio

1970 – Tim Maia
1971 – Tim Maia
1972 – Tim Maia
1973 – Tim Maia
1975 – Tim Maia Racional, Vol. 1
1976 – Tim Maia Racional, Vol. 2
1976 – Tim Maia
1977 – Tim Maia
1978 – Tim Maia em Inglês
1978 – Tim Maia Disco Club
1979 – Reencontro
1980 – Tim Maia
1982 – Nuvens
1983 – O Descobridor dos Sete Mares
1984 – Sufocante
1985 – Tim Maia
1986 – Tim Maia
1987 – Somos América
1988 – Carinhos
1990 – Dance Bem
1990 – Tim Maia Interpreta Clássicos da Bossa Nova
1994 – Voltou Clarear
1995 – Nova Era Glacial
1997 – Tim Maia & Os Cariocas: Amigos do Rei
1997 – Pro Meu Grande Amor
1997 – What a Wonderful World
1997 – Só Você (Para Ouvir e Dançar)
1997 – Sorriso de Criança

Fonte: Wikipédia
Atualizado em 5/11/2014.

Fotos

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Vídeos

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Azul da Cor do Mar
Gostava Tanto de Você
Bom Senso
O Descobridor dos Sete Mares
Você
Réu Confesso
Me dê Motivo
Eu Amo Você
Sossego e um quilo do bom
No Caminho do Bem

Topo

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