Raízes Aéreas

Zélia Duncan

In Música pelo mundo on 25 de outubro de 2009 at 6:30

Zélia Cristina Duncan Gonçalves Moreira (Niterói, 28 de outubro de 1964) é uma cantora e compositora brasileira. Aos 16 anos, em 1981, Zélia enviou uma fita para a Sala Funarte de Brasília, que na época realizava concursos. Foi selecionada em primeiro lugar e apresentou lá o seu primeiro show. Abriu com a canção “Fazenda” de Milton Nascimento e após a apresentação bem sucedida várias portas se abriram para ela: abriu um show de Luis Melodia, no Teatro Nacional de Brasília, começou a se apresentar constatemente e ainda foi selecionada para representar Brasília no projeto Pixinguinha, viajando por sete cidades. Aos 22 anos (1987) voltou a Niterói, morando com sua avó Zélia. Na época trabalhava no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ) e fazia de tudo um pouco: foi locutora da rádio Fluminense FM onde usava a outra parte do seu nome: Cristina Moreira. Foi backing vocal de José Augusto e de Bebeto. Cursou Teatro na CAL (Casa das Artes das Laranjeiras) e também nessa época fez seu primeiro show no Rio de Janeiro.

No final de 1989, conheceu a diretora de teatro Ticiana Studart, que trouxe de Nova York ideias para um show arrojado e irreverente. A linha de pensamento foi: “produzir é um caos, os espaços são um caos, a violência é um caos, o isolamento cultural é um caos,” e logo veio um nome apropriado para o show: “Zélia Cristina no caos.” Como a própria Zélia descreveu:

“Embora ainda correndo à margem da grande mídia, sem críticos ou chamadas na TV, o resultado foi muito recompensador. Da Laura Alvim fomos para o Mistura Fina, ambos com lotações esgotadas, e tive a visita de alguém do Estúdio Eldorado, que me convidou para, enfim, gravar um disco.”

1990-1993: Outra Luz, Emirados Árabes e Songbook

Após o convite da Eldorado, Zélia gravou o disco “Outra Luz”, contudo não ficou completamente satisfeita com o resultado, considerando que o álbum não se parecia com ela. Com “Outra Luz” teve duas indicações para o prêmio Sharp, como revelação e melhor cantora pop-rock. O show fez sucesso e Zélia cantou em várias capitais.

Em outubro de 1991 foi convidada para passar três meses nos Emirados Árabes cantando no hotel Meridien. Após o choque inicial, aceitou e os três meses viraram cinco. Esse período foi muito importante, uma vez que, além da música oriental, ela entrou em contato com a música de artistas que a influenciaram muito nos trabalhos posteriores: Joni Mitchell, Joan Armatrading, Sam Cooke, Ry Cooder e Peter Gabriel. Foi também um período criativo, Zélia passou a compor muito. (“O Meu Lugar”, por exemplo). Voltou para o Brasil em 1992 amadurecida pela experiência em Abu Dhabi, disposta para retomar seu trabalho, desta vez com material autoral e sonoridade acústica.

Foi numa longa temporada no Torre de Babel que tudo começou a mudar. Guto Graça Mello foi assistir ao show e a levou para gravar sem compromissos. Depois disso foi convidada por Almir Chediak para participar do Songbook de Dorival Caymmi cantando “Sábado em Copacabana”. Almir apresentou Zélia à Beth Araújo, da WEA nesse dia, que a convidou a entrar para o selo da gravadora.

1994-1995: Zélia Duncan, Catedral e o estouro

Após entrar para a WEA, Beto Boaventura, presidente da gravadora, sugeriu que Zélia alterasse o nome artístico de Zélia Cristina para Zélia Duncan (o sobrenome Duncan, origina-se da família materna – sobrenome de solteira da mãe – não estava originalmente em seu nome, sendo assim também uma homenagem à avó, chamada Zélia Duncan). O álbum homônimo foi lançado em 1994. A parceria com Christiaan Oyens se mostra muito presente tocando a bateria, bandolim (o que caracterizou a parceria de ambos) e violão. Há nesse disco canções muito marcantes da carreira, como “Lá Vou Eu (Rita Lee)”, “Nos Lençóis Desse Reggae”, “Não Vá Ainda” e “Sentidos”. O sucesso de “Catedral” não foi premeditado. Zélia nem ao menos a incluiu no primeiro disco promocional – no qual coloca-se a “música de trabalho” – que contava com quatro canções. Seis meses após o lançamento, Catedral entrou para a trilha sonora da novela “A Próxima Vítima” da Rede Globo como tema dos personagens Irene e Diego, protagonistas da trama e tornou-se um grande sucesso, o primeiro da carreira. A canção é uma regravação traduzida do original da cantora Tanita Tikaram, intitulado “Cathedral song”, do álbum “Ancient Heart”. O reconhecimento pela crítica também não tardou a aparecer. A revista americana “Billboard” incluiu “Zélia Duncan” na lista dos dez melhores álbuns latinos de 1994 e já no segundo semestre de 1995 Zélia recebeu o “Disco de Ouro”, pela venda das primeiras 100 mil cópias.

Já com o estouro de “Catedral” nas rádios em 1995, fez uma série de shows e temporadas levando a música para todo o país, interpretando todas as canções do CD, entre outras relevantes desse período e que já estavam presentes no repertório: Rita Lee, Alice Ruiz e Itamar Assumpção. Participou da primeira grande festa de aniversário da Rádio JB Fm no antigo Metropolitan (atualmente Citibank Hall, Rio de Janeiro) onde Maria Bethânia apresentava o espetáculo com novas cantoras da época; além de Zélia estavam presentes Cássia Eller e Adriana Calcanhotto. Na época do encerramento da turnê de divulgação do álbum “Zélia Duncan”, em agosto, no Parque do Ibirapuera (São Paulo), o disco já havia atingido a marca de 160 mil cópias vendidas.

1996-1997: Intimidade

Zélia passou agosto e setembro de 1996 no estúdio “Nas Nuvens” trabalhando no álbum “Intimidade”, que foi produzido por Liminha (com co-produção de Christiaan Oyens). É um disco bastante autoral, onde Zélia apresenta oito parcerias com Christiaan: Enquanto durmo, Intimidade, Bom pra você, Experimenta (C.Oyens – Fernando Vidal – Zélia Duncan), Não tem volta, Me gusta, A diferença e Assim que eu gosto. Outras três parcerias com Lucina: Minha fé, Coração na boca e Primeiro susto. A única canção do disco que não é de autoria de Zélia é “Vou tirar você do dicionário” (Alice Ruiz – Itamar Assumpção). A arte da capa é de Brígida Baltar.

O reconhecimento do disco não tardou: antes do lançamento, “Enquanto Durmo” foi incluída na trilha sonora da novela “Salsa & Merengue”. Só no primeiro mês, “Intimidade” vendeu 80 mil cópias e Zélia ainda foi premiada como Melhor Cantora pela APCA. Em 1997 Zélia excursionou pelo Brasil com o show “Intimidade” e se apresentou também em Portugal e na Espanha, além de uma série de 12 shows pelo Japão em setembro. Nos Estados Unidos participou do Festival de Música Brasileira. Em agosto cantou no Canecão pela primeira vez. O show contou com a participação de Itamar Assumpção.

2005: Pré Pós Tudo Bossa Band

O disco “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band” foi gravado em março e abril de 2005. A produção ficou com Christiaan Oyens, Bia Paes Leme e Beto Villares. Foi lançado pela Universal Music. O disco explora o famoso ecletismo de Zélia, tanto quanto ao estilo, como quanto às parcerias. Abre o álbum a faixa-título, parceria com Lenine. O repertório passa pela balada “Benditas”, parceria com Mart’nália. Zélia inicialmente planejava um samba quando enviou a letra para a parceira musicar. O inverso aconteceu ao enviar a letra de “Quisera Eu” a Lulu Santos, recebendo de volta um alegre samba. Em “Inclemência” Zélia adicionou letra a uma canção de Guerra Peixe. Gravou quatro parcerias de Itamar Assumpção: Vi Não Vivi (Christiaan Oyens), Tudo ou Nada e Milágrimas (Alice Ruiz) e Dor Elegante (Paulo Leminski). Também em 2005 foi convidada por Simone para participar da gravação de seu dvd Ao Vivo cantando “Não Vá Ainda” e “A Idade do Céu”.

2006-2007: Os Mutantes

Em 2006, além de continuar com a turnê de divulgação do álbum “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band”, Zélia passou a se apresentar com Os Mutantes na reunião do grupo. O histórico show no Barbican Theater, em Londres foi registrado em CD e DVD. Zélia foi bem recebida pelos fãs do grupo e elogiada pela crítica. Sobre a entrada de Zélia na banda, Sérgio Dias disse:

“A gente se conhece há pouco tempo, mas foi como se fossem 50 encarnações juntas”, contou Sérgio. “Quando sugeri a Zélia para cantar com a gente, todo mundo comentou que a voz dela é muito diferente, é grave, mas eu disse que botava fé. No fim, quando ela veio tocar, foi maravilhoso.” Zélia, de seu lado, comentou a emoção, mas deixou claro que não quer comparações com Rita Lee: “Não sou uma substituta, isso seria ridículo e perigoso para mim. Me sinto uma representante”. Contou também que, logo depois do primeiro ensaio, ligou para Rita. “Ela tinha de ser a primeira a saber e é de quem realmente me importa a opinião. Eu lhe disse o quanto aquilo foi forte para mim, justamente por sentir tanto a presença dela, e Rita abençoou geral e só comentários positivos foram feitos. Os Mutantes me chamaram, Rita Lee abençoou. Quem não aceitar, que atire a primeira pedra! Da qual eu vou desviar, claro.”

Em 2007 Zélia lançou o DVD ao Vivo de Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band e no segundo semestre anunciou sua saída d’Os Mutantes num comunicado oficial. Além disso “Carne e Osso” (sua parceria com Paulinho Moska) não apenas entrou para a trilha sonora da novela da Rede Globo “Sete Pecados”, como era a música de abertura. No mesmo ano o show virou DVD, pelo selo Duncan Discos.

2007-2008: Amigo É Casa

Zélia também estava se apresentando com Simone, shows que culminariam na gravação nesse mesmo ano do CD/DVD ao vivo intitulado “Amigo é Casa”, (lançado no ano seguinte pela Biscoito Fino) que trazia uma série de canções importantes nas trajetórias de ambas, mas que nunca tinham sido cantadas por elas antes. O show é marcado pela forte parceria das duas que ficam juntas no palco na maior parte do tempo dividindo versos e holofotes com suavidade e sutileza. A turnê, além de percorrer todo o Brasil, passou também por Portugal e foi um sucesso de público e crítica.

Em 2008 Zélia encerrou a bem sucedida turnê do álbum “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band” no SESC Pinheiros em São Paulo. Nessa época já trabalhava no repertório do álbum “Pelo Sabor do Gesto” (2009).

2009-2010: Pelo Sabor do Gesto

“Pelo Sabor do Gesto” foi lançado pela gravadora Universal Music com produção musical de John Ulhoa e Beto Villares. Chegou às lojas em junho do mesmo ano. As aquarelas e design da capa do disco são obras de Brígida Baltar. As fotos têm como cenário Santa Tereza, e são da autoria de Emmanuelle Bernard. Luiza Marcier assina o figurino, de ambos, CD e show.

A parte do disco dirigida por John Ulhoa foi gravada no estúdio localizado na própria case de John e Fernanda Takai (casados, integram a banda Pato Fu), 128 Japs em Janeiro de 2009. Fernanda participa cantando em “Boas Razões”. Na versão original de Alex Beaupain, (parte da trilha sonora do filme Les Chansons d’Amour) a canção é a primeira parte de um diálogo entre Ismael (Louis Garrel) e Julie (Ludivine Sagnier). Nessa parte Ismael fala sobre como se sente e a participação de Ludivine se limita a alguns comentários e respostas curtas. No filme a música emenda em “Inventaire” onde a situação se inverte e é a vez de Julie expressar o que sente. Zélia, em sua versão converte o diálogo em monólogo-poesia e Fernanda canta alguns versos, fazendo a canção soar como uma bela homenagem à obra original. Beto Villares produziu as faixas “Todos os Verbos”, “Sinto Encanto”, “Esporte Fino Confortável”, “Os Dentes Brancos do Mundo”, “Se Eu Fosse”, “Se Um Dia Me Quiseres” e “Duas Namoradas”. A gravação foi em março de 2009 no estúdio Estúdio Ambulante (mixagem de Evaldo Luna).

O show estreou em Julho no Teatro Municipal de Niterói (direção de Ana Beatriz Nogueira, figurino de Luiza Marcier, cenário de Analu Prestes e Luiz Martins). A banda que acompanha Zélia é formada por Ézio Filho (direção musical e contrabaixo), Webster Santos (guitarra, violão e bandolim), Léo Brandão (teclado e acordeon) e Jadna Zimmermann (percussão e bateria). No repertório todas as canções do disco, “Intimidade e Flores”, canções que Zélia não cantava ao vivo já há algum tempo. Uma homenagem a Roberto Carlos com a brincalhona “I Love You”, “Cedotardar”, de Tom Zé, e Luiz Tatit também se mostra presente com “Felicidade”.

“Pelo Sabor do Gesto” foi indicado a melhor álbum de MPB no Grammy Latino de 2009. Em dezembro, Zélia cantou na Sala Funarte Sidney Miller (Rio de Janeiro) e recordou do primeiro show da carreira na Sala Funarte de Brasília. Em 2010 prosseguiu na turnê de divulgação do álbum pelo país e cantou no Quênia, no festival Sawa Sawa e em Toronto, Canadá, em outubro na semana do “Brazil Film Fest”. Em agosto foi premiada “Melhor Cantora” no XXI Prêmio da Música Brasileira, no Teatro Municipal (Rio de Janeiro).

2011: Totatiando, Posse de Dilma e “Em Cena”

Em Setembro de 2011, mesmo ano onde completou seus 30 anos de carreira, Duncan iniciou uma turnê de concertos musico-teatrais chamada “Tô Tatiando” (estilizada como Totatiando), em homenagem ao músico Luiz Tatit. A turnê continuou até o final de 2012, quando Zélia estava empenhada na gravação e lançamentos de seus novos projetos: na época o DVD Pelo sabor do gesto – Em cena e o CD Tudo Esclarecido.

Foi confirmado em Novembro de 2012 que a artista irá lançar um CD e um DVD ao vivo das apresentações do espetáculo.

Cantou na festa da posse da primeira presidenta do Brasil, Dilma Rousseff na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no dia 1 de Janeiro de 2011. Elba Ramalho, Fernanda Takai, Mart’nália e Gaby Amarantos também se apresentaram. Cada uma cantou cinco canções e se reuniram para cantar mais uma música ao final do show “Cinco Ritmos do Brasil”.

Basquete

Com dez anos de idade, interessou-se pelo basquetebol, uma paixão que cultivou até os dezesseis anos. Nessa época, Zélia e seu inseparável violão animavam as viagens com o time. Integrou a seleção feminina de Brasília. A opção definitiva pela música veio quando a data de um campeonato coincidiu com a de um festival.

Corrida

Pratica regularmente, tendo em março de 2010 participado de sua primeira meia maratona em Nova York. “Correr foi se tornando uma terapia, um alívio, uma meditação…bem, dia 17/3, desembarquei em NYC, para minha primeira meia-maratona(21km).”

No dia 10 de outubro do mesmo ano completou sua primeira maratona, em Chicago. Percorreu 42,195 km em 5:10:34.

“De volta ao lar, imagens da corrida me assaltam (…) Gente, na boa, a maratona é uma coisa sensacional uma decisão que deve ser levada a sério e para alguém como eu ,um milagre!”

Discografia

1990 – Outra Luz – (Eldorado)
1994 – Zélia Duncan – (Warner Music)
1996 – Intimidade – (Warner Music)
1998 – Acesso – (Warner Music)
2001 – Sortimento – (Universal Music)
2002 – Sortimento Vivo – (Universal Music)
2004 – Eu me Transformo em Outras – (Universal Music)
2005 – Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band – (Universal Music)
2006 – Os Mutantes – Live In Barbican Theatre (Com os Mutantes) – (SonyBMG)
2008 – Amigo é casa (Ao Vivo Com Simone) – (Biscoito Fino)
2009 – Pelo Sabor do Gesto (Universal Music)
2012 – Tudo Esclarecido (Warner Music)

Fonte: Wikipédia.
Atualizado em 09/05/2013.

Videos

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Catedral com Renato Russo

Alma

Quase Sem Querer

Enquanto Durmo

Tudo Sobre Você

Imorais

Não Vá Ainda

Intimidade

Todos Os Verbos

Pelo Sabor do Gesto

Fotos

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